HIERARQUIA NAS TRANSAÇÕES DURANTE A INTERAÇÃO PESSOAL

 

 

 LEITURA COMPLEMENTAR para os ítens 4.1.1 – Infraestrutura e 7.1.2 – Acolhimento, em Mediação e Solução de Conflitos – teoria e prática, de Fiorelli, Fiorelli e Malhadas.

 

Resumo: este texto traz sugestões a respeito do mobiliário e  das salas destinadas ao processo de mediação. Sugere formas de disposição dos mediandos e acompanhantes com o objetivo de melhor estabelecer a comunicação e o domínio da sessão pelo mediador.

 

 

     Cuidados básicos com a infraestrutura permitem maior liberdade para a condução das sessões; favorecem a criação de um “clima” favorável aos trabalhos; evitam o aumento da ansiedade dos mediandos durante os momentos de espera e eventuais transtornos decorrentes de comunicação indesejável entre as partes.

     Os seguintes são altamente recomendáveis.

 

a)  Quantidade e disposição do mobiliário das salas de espera

As salas de espera devem ser planejadas para que os mediandos possam aguardar sem o provável desprazer de manter contato com seus oponentes.

Obviamente, o número de salas depende da quantidade de público. Esta, por sua vez, depende de fatores mercadológicos e financeiros da entidade.

A separação prévia dos mediandos evita possíveis agressões verbais e físicas,  reduz a tensão dos presentes e elimina o estímulo ansiogênico representado pela simples visão do oponente e daqueles que o acompanham, quando for o caso.

A raiva desencadeia inúmeras reações fisiológicas à simples percepção da presença do adversário quando este a desperta. Quando a raiva domina, uma simples troca de olhar destrói o pensamento racional.

As dimensões da sala de espera dependem do método de agendamento.

Sessões espaçadas, reservando-se um intervalo de tempo para acomodar atrasos e prolongamentos da duração da sessão anterior, reduzem a necessidade de área para aguardar. Deve-se evitar, tanto quanto possível, pessoas aguardando.

 

b)  Sala de pré-mediação e mediação

As salas onde se realizam as sessões de pré-mediação e mediação devem ter dimensões tais que permitam estabelecer uma distribuição de mediadores, mediandos e acompanhantes que favoreça:

-         a comunicação do mediador e co-mediador com os mediandos;

-         a comunicação entre os mediandos e entre o mediador e o co-mediador;

-         o controle dos comportamentos de mediandos e acompanhantes pelo mediador e co-mediador;

-         o equilíbrio entre os mediandos.

 

Uma possibilidade, bastante conveniente porque acentua a posição do mediador como o responsável pela sessão de mediação, consiste em utilizar o esquema da figura 1.

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Essa disposição pode ser utilizada na pré-mediação:

a)  se as duas partes comparecerem, juntas, para solicitar a abertura da mediação;

b)  caso elas se encontrem para, em conjunto, escolherem o mediador.

 

Este esquema apresenta as seguintes vantagens:

-         O mediador e o co-mediador detêm absoluto controle sobre os comportamentos dos mediandos e dos acompanhantes (se houver).

-         Estabelece a autoridade do mediador por sua posição destacada à frente.

-         Caracteriza que a relação interpessoal dominante será exercida entre o mediador e os mediandos, e deixa para os acompanhantes o papel de coadjuvante.

-         Não possibilita a acompanhante identificar as expressões faciais dos oponentes.

 

Possível desvantagem diz respeito ao mediando muito dependente do acompanhante, no qual encontra suporte emocional. Enquanto o mediador não conquistar a confiança dessa pessoa, ela poderá demonstrar insegurança porque não se encontra ao lado de quem lhe dá suporte.

Outra desvantagem é o fato de os mediandos não se olharem frente a frente. Isso facilita, àquele que não quer encarar o oponente, a manutenção dessa postura que, sem dúvida, dificulta ainda mais a comunicação. Por outro lado, é vantajosa quando os mediandos não podem se encarar.

 

Um esquema que proporciona bons resultados, contribuindo para o equilíbrio de forças e o controle pelo mediador, é o da figura 2, empregado em mesas retangulares.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este esquema, em relação ao da figura 1, tem a desvantagem de permitir menor controle por parte do mediador. Pode, entretanto, proporcionar maior segurança ao mediando. O mesmo esquema, adaptado para mesa quadrada ou redonda, encontra-se na figura 3:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

        

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O mediador pode optar por não indicar os lugares aos participantes, deixando-os distribuir-se espontaneamente.

Esta estratégia lhe proporciona uma leitura interessante das relações entre os mediandos, do jogo de poder existente, da disposição de cada um deles em participar da sessão.

Recomenda-se que a sala disponha de tratamento acústico que assegure privacidade.

É desagradável, para quem se encontra na sala de espera, ouvir conversas e discussões que transcorrem na entrevista de pré-mediação ou na sessão de mediação, sabendo que, depois, chegará a sua vez de expor conteúdos da vida privada.

 

c)  Sala de reunião

A sala de reunião tem dupla finalidade: permitir que advogados e partes se reúnam para trocar idéias e aconselhamentos, durante as sessões de mediação, e servir de espaço reservado para o mediador, a qualquer tempo, reunir-se com um dos mediandos.

Ela pode ser mais simples, com espaço para uma escrivaninha e duas ou três cadeiras, sendo também aconselhável isolamento acústico.

Convém ser contígua à sala de mediação, para facilitar o trânsito e o controle do fluxo pelo mediador. Se o layout o permitir, poderá ser a sala de pré-mediação.

 

 

 


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