Janela Johari e o autoconhecimento

 

 

LEITURA COMPLEMENTAR para o item 5.5 – Comportamentos do mediador, em Mediação e Solução de Conflitos – teoria e prática, de Fiorelli, Fiorelli & Malhadas.

 

Resumo

O autoconhecimento é indispensável ao que lida com mediação de conflitos, para assegurar que os seus próprios conteúdos não contaminam as interpretações das manifestações das partes em litígio.

A Janela Johari abre uma instigante percepção a esse respeito.

 

 

As pessoas têm apenas uma idéia imprecisa de como se comportam; afinal, não se atua na frente de um espelho e nem se dispõe de feedbacks contínuos. Daí a importância do autoconhecimento, principalmente para aqueles que se expõem à observação de terceiros.

Joseph Luft e Harry Ingham desenvolveram um modelo, já clássico, a respeito do autoconhecimento (a famosa “Janela Johari”), segundo o qual todo indivíduo apresenta os seguintes quatro tipos de comportamentos:

 

a)  conhecidos por ele e por todos que com ele convivem (denominado “eu aberto”);

A pessoa, por exemplo, é agressiva; tem consciência disso, e todos os que a conhecem, também sabem!

 

b)  conhecidos pelos outros, mas não por ele (o “eu cego”);

Por exemplo, a pessoa eleva a voz, mas não o percebe; surpreende-se quando chamada de “agressiva”.

 

c)  conhecidos por ele, mas desconhecidos pelos outros (o “eu secreto”);

A pessoa manipula, consciente de que se comporta dessa maneira; assim, conduz as demais que não o percebam.

 

d)  desconhecidos dele e dos demais (o “eu oculto”);

Na situação anterior, o indivíduo manipula e nem ele, nem as demais pessoas, têm consciência de que ele assim se comporta.

Quando um terceiro observa e aponta o fato, todos se surpreendem.

 

Quanto mais os comportamentos da pessoa são conhecidos por ela e pelos demais (dominância do “eu aberto”), mais fácil será a comunicação.

O diálogo franco, aberto, entre mediador e co-mediador, constitui um procedimento simples e eficaz para ampliar o “eu aberto”; afinal, um e outro observam-se atuando na sessão de mediação.

Por meio de comentários recíprocos (os feedbacks), ambos poderão melhorar continuamente suas intervenções.

Algumas dicas para a eficácia dos feedbacks:

-         eles devem ser específicos,  referir-se a situações muito bem identificadas;

-         devem ser realizados logo após a sessão, para que os detalhes ainda permaneçam vivos na memória;

-         devem ser detalhados, para que não se tornem meras observações de caráter geral.

 

O autoconhecimento constitui o principal instrumento à disposição do mediador para assegurar-se de que:

a)     não se deixa contaminar por seus conteúdos;

b)     não se deixa conduzir pelos comportamentos dos mediandos;

c)     de fato, pratica comportamentos facilitadores da mediação.

 

A respeito de Janela Johari e feedback o leitor encontra mais informações em:

 

MOSCOVICI, F. Desenvolvimento interpessoal. 4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995.

 

 

 

 

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