Axiomas da comunicação
LEITURA COMPLEMENTAR para o item 3.5.3 – Comunicações paradoxais, em Mediação e Solução de Conflitos – teoria e prática, de Fiorelli, Fiorelli & Malhadas.
Resumo
Watzlawick e colaboradores realizaram extenso estudo da comunicação, por meio do qual desenvolveram uma importante base conceitual, útil para a compreensão do processo por meio do qual ela se estabelece. A impossibilidade de não comunicar, a importância da forma e do conteúdo em uma comunicação, são algumas das conclusões relevantes.
Os axiomas da comunicação, desenvolvidos por Watzlawick e colaboradores (1973), fornecem importante base conceitual para compreender o processo por meio do qual ela se realiza.
Eles aplicam-se com perfeição às comunicações no transcorrer da sessão de mediação. Resumidamente, estabelecem que:
- é impossível não comunicar;
A não-comunicação constitui uma mensagem; há mediandos que utilizam o silêncio, porque sabem o quanto ele machuca o outro.
Há, também, o mediando que o emprega como uma estratégia maliciosa (constrói um “clima de mistério” em torno do que pode estar pensando; com isso, aguarda que o outro transmita informações sensíveis que ele poderá utilizar convenientemente).
- toda comunicação possui uma forma e um conteúdo;
A relação entre o conteúdo e a forma constitui uma metacomunicação; não há quem não conheça o impacto de um sorriso falso ou da expressão “querida” dita para magoar.
O mediador deve permanecer atento a esses comportamentos e empregar técnicas de neutralização, porque eles destroem a harmonia da sessão;
- a natureza de uma relação encontra-se na contingência da pontuação das seqüências comunicacionais entre os envolvidos;
Identificar quem comunica, quem responde, quando e como, possui substancial importância para obter informações a respeito do equilíbrio (ou desequilíbrio) de poder, dos estados emocionais e outras altamente significativas.
- os seres humanos comunicam-se digital e analogicamente;
Na mediação, em que a comunicação realiza-se face a face, ganham força os conteúdos analógicos: sorriso, brilho no olhar, aperto de mão, timbre da voz, disposição para ouvir, postura corporal.
Estes conteúdos valorizam as emoções e podem ser explorados pelo mediador.
- todas as permutas comunicacionais são simétricas ou complementares, segundo se baseiem na igualdade ou na diferença.
Isso acontece na relação marido-mulher, pais-filhos, chefe-empregado etc.
A simetria proporciona condição de diálogo entre os mediandos; entretanto, se ela conduz a uma escalada de violência (ambos gritam, cada vez mais alto, por exemplo) ou a uma paralisação da fala (ambos se calam), o mediador deve restaurar o nível adequado de comunicação.
A relação complementar aparece na situação de dependência: ele manda, ela obedece; ela grita, ele se cala etc.; o mediador, nesse caso, deve trabalhar para estabelecer um nível saudável de simetria.